sábado, 3 de outubro de 2009

Um delírio delirante

Durante uma sublime aula de literatura, com meu desejado professor Douglas, pus-me a filosofar! Ao falar de poesia, mal continha o entusiasmo enquanto citava Drummond. Ah , que desenvoltura! Ele encena, dramatiza, dá o seu pingo de exagero sem nada a exagerar. É perfeito, até parece que sou eu lá!
Em meio a tudo isso, ele lança no ar, "e agora José?". Eu, anestesiada em meu lugar, parto para outro mundo, e agora Maísa?
Meu querido Drummandão, em uma crise de meia idade, escreve um poema expondo sua dor e frustração. Bom com as palavras, faz-me sentir o mesmo. O receio da infelicidade me persegue, já que não quero alcançar o equilíbrio espiritual antes do físico. Há de ser ao mesmo tempo!
É aí aonde eu quero chegar. É explicito no poema a melancolia do autor sob a falta do novo, do exclusivo, do diferente! Quando se passa e sem tem tudo, a insatisfação deve ser desigual. Foi então que me lembrei de que quando somos crianças, bebês sem conhecimento e dever algum, achamos graça em qualquer coisa. Basta uma senhora banguela fazer caretas e soar sons imitáveis que nos pomos à rir. Com o passar dos anos o nível para a graça aumenta. Agora você tem 5 anos e precisa dos brinquedos para se divertir, da cor atrativa para lhe encantar o olhar. Aos 10 os garotos começam a ter graça, também, e essa graça aumenta... O carro, a casa, a conquista das ambições. A coisa não pára de crescer. Você precisa ser feliz, não há limites. Mas, o que conquistar, cadê o novo? O que basta conhecer? É, as novidades acabaram e você continuou. Você é infeliz. Então faz uma tatuagem, coloca uma bermuda, compra o motão e leva o vendedor, o garoto de 18 anos, de brinde. Sua vida não é mais a mesma, o gosto é outro. É bom, mas não tão bom quanto foi.

Aproveite a sua vida, ela é curta e não tem pause.

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